segunda-feira, 26 de setembro de 2011

GAZETA DO JOVEM HISTORIADOR

3ª Olimpíada Nacional em História do Brasil - Museu Exploratório de Ciências

Participantes da Olimpíada fazem entrevista especial

Nascido na cidade de Urupês – SP, no ano de 1937, onde mora até hoje, o Sr Eneas
Boni, conta-nos sobre o trabalho que fez parte de sua infância, e da maioria das
crianças da sua época. Desde menino, seu pai procurava um ofício para ele, fato
normal dentro dos anos 50. Assim, com 12 anos tornou-se aprendiz na única
alfaiataria da cidade, onde mais tarde tornou-se empregado.
A produção atendia a demanda, pois Urupês recebia nos anos 50 e 60 muitos
imigrantes, destacando os libaneses, que atuavam no comércio com lojas de
tecidos, aumentando o trabalho na alfaiataria.
No ano de 1960, o crescimento da cidade, impulsionado pelo café e a chegada de
imigrantes o Sr. Eneas conta que montou sua própria alfaiataria, onde produzia a
peça completa e era detentor dos meios de produção.
Realizando um trabalho que foi perdendo espaço para as roupas em série e de
baixo custo produzidas pela indústria. Não tinha horário definido, pois trabalha
desde o horário que acordava, até o último cliente, assim, fez muitas amizades
com seus clientes ao longo de sua vida.
Ele tem muito orgulho de seu trabalho, e para ele sempre foi um passatempo. Há
dois anos o Sr. Eneas encerrou seu trabalho na alfaiataria.

Carolina da equipe Perséfones, com o Sr. Enéas Boni no jardim de sua residência
durante entrevista concedida a equipe. Urupês-SP-06/09/2011.
Um olhar sobre os lugares do trabalho



Sr. Waldemar Benati e sua esposa Rita Benati no interior de sua oficina de
consertos de utilidades domésticas, Urupês-SP 06/09/2011.
Fundada em Urupês, em 1950 a Oficina de consertos de objetos domésticos do seu
“Waldemar Folheiro”, como é conhecido por toda cidade, está localizada na região
onde teve o inicio da formação de Urupês, nos fundos de sua casa. É bastante
simples,mas tem todos os equipamentos necessários para o trabalho que o
Sr.Waldemar realiza.
Percebemos que mesmo de forma inconsciente o trabalho em oficinas tem grande
importância dentro dos espaços urbanos tanto no contexto econômico mais também
de sustentabilidade.
No contexto econômico ela, reduz gastos, pois recupera produtos evitando nova
compra e, oferece empregos, mas também colabora para a reutilização de materiais
contribuindo assim para o meio ambiente.
As oficinas foram se estabelecendo ao longo do século XIX e XX no Brasil, com
grande intensidade, pois os jovens tinham poucas opções de trabalho e ser um
artesão naquele momento representava status dentro da sociedade, e em meio às
mudanças ocorridas com o processo de industrialização, as oficinas apresentam-se
como resistência as estruturas rígidas que se impunham ao trabalhador. Elas não
tinham como concorrer em igualdade junto às fábricas que produziam em série,mas
conservam-se ainda hoje,porém seu papel dentro da sociedade brasileira não tem
destaque,infelizmente o trabalho manual perde a importância dentro de uma
sociedade financiada pela indústria e estimulada pela mídia onde a compra a
desenfreada, é símbolo de poder e relegando as oficinas apenas uma menor fatia
de mercado.
Destacamos também que as oficinas foram locais de trabalho onde se transmitiam
de geração em geração o seu oficio,o qual não necessitava de cursos,mas sim de
prática.
Essa resistência foi intensa pois elas valorizaram a sua força de trabalho não
se renderam a tornar-se mais um número dentro das fábricas.
Cada uma ao longo dos séculos imprimiu sua marca e sua representação dentro da
comunidade.
Seus profissionais tem nome,são conhecidos e fazem parte da memória de suas
comunidades,não sendo reduzidos a números, mas valorizando sua contribuição
dentro da sociedade.
Atualmente o número de oficinas está reduzindo, os poucos profissionais que
ainda se dedicam não encontram mais jovens que queiram aprender este oficio,por
conta da maior facilidade de acesso a uma formação universitária ,e, pela falta
de valorização do trabalho manual. Não é a consciência do homem que lhe
determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a
consciência.- Karl Marx(1818-1883)Entrevista: como era o trabalho naqueles dias
O trabalho artesanal, nas primeiras décadas do século xx, perdeu campo, devido à
industrialização, diante da nova possibilidade dos meios de produção e pelos
baixos preços de produtos em série, mas também fez o trabalhador buscar e ou
aceitar novas regras dentro do mundo do trabalho.
Percebe-se a valorização pelo trabalho artesanal neste início de século, devido
a novas formas de regulamentação das leis trabalhistas que estimulam o
trabalhador a buscar uma alternativa, onde este não seja tão explorado pelo
sistema capitalista.
Paradoxalmente, este trabalhador tem como objetivo passar da condição de
explorado á de explorador. Conforme Bosi (BOSI, Ecléa. Memória e sociedade:
lembranças de velhos. São Paulo: Cia das letras p.470-“O artesanato, por força,
recua e decai, e as mãos manobram nas linhas de montagem á distancia dos seus
produtos’.

Equipe aponta o que menos gosta e o que mais gosta na Olimpíada de História
Nós da equipe Perséfones, destacamos positivamente o acesso aos documentos
diferenciados não presentes no cotidiano escolar que nos são apresentados
através da Olimpíada.
O aspecto desfavorável para a nossa equipe está relacionado ao tempo para a
realização das provas, que entre uma fase e outra, poderia ser maior.

Epígrafe"Assim com não existem pessoas pequenas na vida, sem importância, também não
existe trabalho insignificante." -Elena Bonner.Vocês concluíram a tarefa com
sucesso!

Alunos Participantes:

Carolina da Silva Conceição
Ana Laura Nunes
Pâmela Cristina Costa

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