3ª Olimpíada Nacional em História do Brasil - Museu Exploratório de Ciências
Participantes da Olimpíada fazem entrevista especial
Nascido na cidade de Urupês – SP, no ano de 1955, onde reside até hoje, Pedro
Inocêncio Garcia Gea, conta-nos sobre o trabalho que fez parte de sua infância,
mas também da maioria das crianças nas décadas de 60 e 70 no Brasil.
Pedrinho (como é conhecido em nossa cidade) relembra com emoção o dia- a- dia na
fábrica de balaios, onde trabalhava em companhia de mais de 16 jovens.
O trabalho não tinha nenhum tipo de segurança. Os jovens recolhiam as lâminas do
bambu, e passavam a trançá-las, dando formas aos famosos balainhos que serviam
para plantar mudas de café. Durante a entrevista nos mostrou as marcas que as
farpas dos bambus causaram em suas mãos.
A produção atendia a crescente demanda, haja vista que Urupês destacava-se na
produção de café nacionalmente.
Pedrinho relata que considera seu antigo trabalho como “escravo”, pois além de
exaustivo, ganhava muito pouco, mas contribuía para ajudar na renda familiar.
Relembrou também que não teve direitos trabalhistas bem como seus amigos, e que
o trabalho infantil era comum e necessário para a maioria das famílias.
Ele nos diz acreditar que o trabalho na infância foi o que gerou sua
responsabilidade e o preparou para a vida adulta.
Sr. Pedro Inocêncio Garcia Gea durante entrevista realizada em Urupês à equipe
Tim Maia: Kaori à esquerda e Gabriela à direita - 06/09/2011.
Um olhar sobre os lugares do trabalho
Maquina de Beneficiamento de café, fundado em 1962 Urupês- SP. 06/09/2011
A “máquina’’ de beneficiamento de café, está situada na parte inicial da cidade
de Urupês-SP. Faz parte da história da cidade e foi fundamental para o
crescimento e desenvolvimento da cidade, pois através da produção cafeeira a
cidade tornou-se importante dentro do estado de São Paulo.
Por meio deste prédio, temos uma fonte de pesquisa sobre a cidade, afinal, ele
retrata as relações de trabalho do século XX, destacando a importância da cidade
no cenário econômico da crescente exportação de café.
Foi fundada em 1962 pelo senhor Nassib Daher, demonstrando a importância
econômica das máquinas de beneficiamento, e contava com dez funcionários.
A máquina de beneficiamento de café foi instalada num período de grande
transformação no Brasil, quando o trabalho braçal cedeu lugar ao trabalho
industrial.
O beneficiamento de café representava, naquele momento, a modernização dos meios
de produção na pequena cidade e alçava reconhecimento no estado de São Paulo.
Mas a instalação da “Máquina” também causou alguns percalços, como a diminuição
de oferta de trabalho no campo. A “Máquina” tomava o lugar do trabalhador, que
teve de buscar um novo papel na sociedade local, afinal, a “Máquina” realizava o
trabalho de muitos.
As leis trabalhistas eram recentes, mas, na prática, havia um combinado entre as
partes, em que a palavra valia mais do que o papel, e esta é uma das causas de
muitos trabalhadores não serem aposentados hoje. Assim, a “Máquina” gerava
prestígio ao funcionário que ali era responsável pelo funcionamento, criando,
neste momento, a valorização do trabalho qualificado.
Dentre os vários fatores que culminaram no declínio da produção do café (e,
consequentemente, o declínio do beneficiamento do café), os principais foram: a
modernização dos meios de trabalho, o êxodo rural e a queda do preço do café,
além de uma intensa geada que causou a falência de muitos proprietários rurais
em 1978.
Para se ter uma ideia, a máquina de beneficiamento recebia do município, de um
total de duzentos sitiantes que levavam seu café para ser beneficiado, e hoje
elas não estão em funcionamento, pois o café cedeu lugar a cana-de-açúcar,
concentrando o poder e a riqueza nas mãos de poucos e desta forma subordinando
cada vez mais o trabalhador.
A situação da zona rural no noroeste paulista do século XXI quanto ao declínio
da produção de café, com inúmeras casas abandonadas pelo êxodo, lembra a
decadência econômica da produção cafeeira do Vale do Paraíba.Entrevista: como
era o trabalho naqueles dias
Na década de 1970, predominava em Urupês-SP, a cultura do café, sendo muito
comum no cenário urbano, fábricas de balaios, que empregavam crianças e jovens.
A fábrica não oferecia condições adequadas ao trabalhador, e direitos
trabalhistas. O trabalho de crianças e jovens eram comuns e isto contribuiu em
grande parte, para que os jovens destas décadas tornassem analfabetos causando
enormes prejuízos ao desenvolvimento nacional.
A rotina de um trabalhador iniciava-se às 5h da manhã e ia até as 19h, junto com
seus colegas de trabalho.
O século XX tem como símbolo um trabalhador que se volta para a busca de sua
identidade e de seus direitos no cenário capitalista.
Alunos participantes:
Gabriela Achette
Larissa Kaori Mabu
Joao Pedro Bertolo Figueiral


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