segunda-feira, 26 de setembro de 2011

GAZETA DO JOVEM HISTORIADOR

Alunos participam da 3ª Olimpiadas de História - Unicamp

3ª Olimpíada Nacional em História do Brasil - Museu Exploratório de Ciências

Participantes da Olimpíada fazem entrevista especial

A história de nossa cidade está presente na própria trajetória de vida de seus
moradores. Como exemplo, o relato do Sr. Manoel Rosa (1940- ), natural de
Urupês, que mudou com sua família para a cidade em 1972, devido à mecanização do
campo e como consequência do êxodo rural.
Juntando suas economias, conseguiu comprar uma máquina de beneficiamento de
arroz – para a qual era necessário treinamento. Ele aprendeu com um antigo
funcionário e achou complicado mexer nos botões e operar.
Depois de aprender, ensinou o seu filho mais velho , tendo mais tempo para
visitar os sítios e buscar o arroz para ser beneficiado.
Ele iniciava o trabalho às 7h da manhã e terminava somente quando atendia o
último produtor de arroz, que buscava em seu ofício a seleção de grãos
(descascava, peneirava e classificava), diminuindo muito do trabalho do produtor
que, anteriormente, era feito manualmente (pilão, peneira).
No período de safra, contava com um trabalhador diarista chamado “saqueiro” ,
que fazia o trabalho pesado das charretes até a máquina.
Através desta entrevista, podemos conhecer a história viva e perceber que cada
indivíduo é um ser atuante e desencadeador do processo histórico.



Gabriel, integrante da equipe Metal Contra as Nuvens, com o Sr. Manoel Rosa
durante entrevista realizada no dia 06/09/2011


Um olhar sobre os lugares do trabalho

Fachada da "Máquina de Beneficiamento de arroz", fundada em 1949, e a peça de
classificação do arroz, atualmente ainda em uso.

Fundada em 1949, na cidade de Urupês, devido às necessidades causadas pela
demanda da produção agrícola do município e região, as Máquinas de
Beneficiamento que geravam a modernização no campo de trabalho nas décadas de 50
e 60 do século XX, no noroeste paulista.
O beneficiamento de arroz representava, naquele momento, a modernização dos
meios de produção na pequenina cidade, que alçava reconhecimento no estado de SP
como região de destaque agrícola e que necessitava de operários com qualificação
profissional. Mesmo que mecanicamente, era o início da transformação das grandes
mudanças que ocorreriam durante o século XX, referente ao que se espera do
trabalhador em relação a sua ação, substituindo o trabalho mecânico e braçal
pelo intelectual e destacando a inteligência emocional. Mas a instalação da
“Máquina” também causou alguns percalços, como a diminuição de oferta de
trabalho.
A “Máquina” tomava o lugar do trabalhador, que teve de buscar um novo papel na
sociedade local, afinal, a “Máquina” realizava o trabalho de muitos a um custo
que compensava o proprietário.
As leis trabalhistas eram recentes, mas, na prática, havia um combinado entre as
partes, em que a palavra valia mais do que o papel, e esta é uma das causas de
muitos trabalhadores não serem aposentados hoje. Assim, a “Máquina” gerava
prestígio ao funcionário que ali era responsável pelo funcionamento, criando,
neste momento, as diferenças de trabalho, bem como a valorização do trabalho
qualificado.
Dentre os vários fatores que culminaram no declínio da produção de arroz (e,
consequentemente, o declínio do beneficiamento de arroz), os principais foram: a
modernização dos meios de trabalho, o êxodo rural e a queda do preço do arroz.
Como tudo no século XX, o processo de beneficiamento foi modernizado, além do
que sobreveio a concorrência de produtores de arroz do sul do país, com preços
mais competitivos. Hoje, a maioria das pessoas compra arroz no próprio
supermercado. Para se ter uma ideia, em uma das máquinas de beneficiamento do
município, de um total de duzentos sitiantes que levavam seu arroz para ser
beneficiado, atualmente, restam apenas dez.
A situação da zona rural no noroeste paulista do século XXI quanto ao declínio
da produção de arroz, com inúmeras casas abandonadas pelo êxodo, lembra a
decadência econômica da produção cafeeira do Vale do Paraíba desde as últimas
décadas do século XIX, contada por Monteiro Lobato na obra Cidades Mortas. Hoje,
o que temos são “sítios mortos”.Entrevista: como era o trabalho naqueles dias
Na década de 1970, predominava no setor agrícola do noroeste paulista culturas
como as de arroz e de café, sendo muito comum no cenário urbano as máquinas de
beneficiamento, que contribuíam para o término de processo de produção desses
insumos.
O dono do estabelecimento que beneficiava o arroz não restringia seu trabalho a
manipular a máquina, mas ele também se dirigia aos sítios, para buscar o produto
e leva-lo até a cidade, atuando como uma espécie de transportador de carga ou
caminhoneiro.
Sua rotina de trabalho iniciava-se às 7h da manhã e ia até as 19h, sendo ajudado
pelo filho e pelo diarista, não registrado.
Assim, na década de 70, chega ao interior do país o projeto de modernização
atrelado ao idealismo de Juscelino Kubitschek da década de 1950.
O século XX tem como símbolo um trabalhador que se volta para a busca de sua
identidade e de seus direitos no cenário capitalista.

Equipe aponta o que menos gosta e o que mais gosta na Olimpíada de História
Nós da equipe Metal Contra as Nuvens, destacamos positivamente o acesso aos
documentos diferenciados não presentes no cotidiano escolar que nos são
apresentados através da Olimpíada.
O aspecto desfavorável para a nossa equipe está relacionado ao tempo para a
realização das provas, que entre uma fase e outra, poderia ser de, no mínimo dez
dias.

Epígrafe
“Não é história que usa o homem para realizar os seus fins, ao contrário, ela
nada mais é que a atividade do homem que persegue seus fins”. Karl MarxVocês
concluíram a tarefa com sucesso!

Produzidos pelos alunos:
Gabriel Domingos
Lucas Pazim
Vinicius Afonso

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