quinta-feira, 11 de novembro de 2010

GAZETA DO JOVEM HISTORIADOR

Olimpíada de história muda a rotina de alunosOs participantes da 2ª Olimpíada Nacional em História do Brasil tiveram uma significativa mudança em suas rotinas desde o início.
A equipe Parodoxos do Desvaneio, começou uma série de estudos, pesquisas e reuniões para a discussão das questões e das tarefas propostas a cada fase, além de incluir entrevistas com diferentes pessoas da comunidade. A equipe realizava suas pesquisas e logo após reunia-se com as demais equipes coordenadas pela mesma professora para um debate sobre a resolução das questões e trocar experiência sobre suas linhas de raciocínio para a conclusão das questões.
A professora Alessandra, responsável pela equipe, diz que a disciplina, os estudos, o trabalho em equipe e o comprometimento dos alunos foram o sustentáculo da equipe até o momento atual. Relatou que o 7 de setembro foi inusitado, pois no dia foi realizado uma destas reuniões em sua casa com as equipes coordenadas por ela.
O grupo relata que o conhecimento adquirido foi de grande importância e que este será multiplicado junto à comunidade escolar, contribuindo assim para a melhor compreensão da história do nosso país.



Membros da Equipe Parodoxos em uma das suas reuniões para organização de suas pesquisas e realização da prova.
Problema grave no município e suas origens



Casa rural abandonada, que servia de moradia a uma família afetada pelo êxodo.
O êxodo rural é uma realidade preocupante do município de Urupês, principalmente, desde o início da década de 1990, quando um número de famílias que partiam do campo para a cidade acentuou-se mais do que em outras épocas. Conforme o IBGE, em 1997, a população rural era de 20,61%; em 2001, 17,29%; em 2007, 12, 12 %.
Essa realidade socioeconômica municipal segue uma tendência, comum a todo país, na qual os pequenos produtores rurais e suas famílias, não encontrando incentivos político-econômicos para a agricultura, por parte de sucessivos governos federais, acabam vendo na cidade sua melhor alternativa de sobrevivência.
Trata-se de uma preocupação para o município, porque, desse tipo de migração, surgem problemas como: o aumento não planejado das periferias da cidade, subempregos, baixos salários e submissão a patrões, quando, na zona rural, muitas famílias trabalhavam por conta própria.
Além desses problemas, ocorre a perda de determinadas tradições religiosas que são típicas de pequenos municípios do interior de São Paulo, entre elas o Movimento do Terço em Família, as novenas de Natal e as festas juninas, todos estes realizados em sítios e muito presente de décadas passadas. Segundo relata o senhor Antenor Fazoli, as comemorações religiosas eram sua maior distração quando mais moço. Com o êxodo rural, muito dessa tradição se perdeu, porque, ao conviverem com outros valores da cidade, os filhos dos pequenos sitiantes têm vergonha de suas origens, rejeitando seu passado, estigmatizando-o como “caipira”.
No caso do Movimento do Terço em Família, na zona rural, eram necessárias trinta famílias num mesmo bairro, para receberem em suas casas, cada um em cada dia do mês, uma mesma capelinha de Nossa Senhora Aparecida. Em virtude do êxodo rural, a Igreja precisou encerrar esta tradição que unia as famílias urupeenses. Por causa disto, houve uma perda de identidade cultural do município, porque um dos traços que mais lhe identificava extinguiu-se, com a sobreposição da camada urbana à rural.
Há décadas era assim… infância e juventude na voz dos mais velhos
Na primeira metade do século XX, Urupês (SP) era bem diferente de hoje. Conforme o relato do senhor Alexandre Domingos, “a cidade era muito menor e simples, com charretes e cavalos. As casas eram rusticamente erguidas e acabadas com barro”.
Relembrando sua infância na década de 1940, a moradora Geni Franzim conta que “as crianças tinham que trabalhar e consequentemente abandonavam o estudo. Além disto, os brinquedos eram improvisados: a bola era de capotão ou meias velhas; a boneca, de milho ou tijolo enrolado em pano com a carinha em carvão” .
Na década de 1950, lembra a senhora Geni que às mulheres era facultativo o voto, pois, se o seu pai ou marido não as autorizassem que elas votassem, elas não votavam, confirmando assim o patriarcalismo
do período. Essa medida foi fruto do Decreto 21.076, de 24/02/1932, assinado por Getúlio Vargas, que institui o Código Eleitoral Brasileiro.
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Participantes da Olimpíada apontam qual foi a questão mais difícil de toda a competição
Os participantes da equipe Parodoxos, alunos do 9º ano do ensino fundamental, apontam a 31ª questão como a mais difícil por apresentar uma linguagem acadêmica que não faz parte do cotidiano destes alunos, requerendo uma atenciosa leitura e minuciosas análises para sua finalização.
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Epígrafe
“… o caboclo é o sombrio urupê de pau podre a modorrar silencioso no recesso das grotas.
Só ele na fala, não canta, não ri, não ama.
Só ele, no meio de tanta vida, não vive.”
Monteiro Lobato, Urupês, 1968, p. 292

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